Dia da Conscientização da Síndrome Mielodisplásica

Grupo Biotoscana entrevista Dr. Breno Moreno de Gusmão.

Montevidéu, Uruguai, 25 de outubro de 2018. Para comemorar o Dia da Conscientização da Síndrome Mielodisplásica, o GBT Grupo Biotoscana, entrevistou o Dr. Breno Moreno de Gusmão, hematologista na Beneficência Portuguesa de São Paulo. Dr. Breno é também coordenador da Hematologia do Hospital Santa Lucia - Brasil, membro do Grupo Espanhol de Mielodisplasia e secretário e membro fundador do Grupo Latino-americano de Mielodisplasia. É formado pela Universidad Complutense de Madrid e especialista em Hematologista pelo Hospital San Pedro - La Rioja.

GBT: O que é a Síndrome Mielodisplásica, mais conhecida como SMD, e quais seus principais sintomas?
Dr. Breno: Síndrome Mielodisplasica refere-se, pois, a um grupo heterogêneo de doenças hematopoiéticas (de formação do sangue) clonais da medula óssea, em que com frequência observa-se hematopoese (formação do sangue) deficiente. As três linhas celulares da medula óssea (série branca, série vermelha e série plaquetária) estão diminuídas e ou disfuncionantes com tendências a anemia, infecções e sangramentos. Há um alto risco dessa condição se transformar em leucemia mieloide aguda. Então, os principais sintomas são decorrentes da falta ou disfunção dos glóbulos vermelhos ocasionando anemia, dos glóbulos brancos, deixando suscetível a infecções e pelo déficit ou disfunção de plaquetas, sendo suscetível a hematomas e/ou hemorragias.

GBT: Existe algum consenso sobre as causas da SMD e existe algum tipo de prevenção?
Dr. Breno: Na maior parte das vezes não é possível identificar uma causa antecedente externa. O uso de drogas que danificam o DNA (quimioterapia), usadas para tratar diversos tipos de câncer, aumenta o risco para a mielodisplasia. Há certa predominância da condição em pacientes que tenham sido expostos à quimio ou radioterapia e naqueles expostos a hidrocarbonos (como trabalhadores em indústrias de petróleo, pesticidas) e existem alguns estudos que relacionam o cigarro com causa de mielodisplasia.

GBT: Como é realizado o diagnóstico da doença?
Dr. Breno: O diagnóstico de SMD começa pela suspeita clínica de um paciente que apresenta sintomas relacionados com a carência /alterações nos exames de sangue. Para o diagnóstico, é imprescindível o estudo medular, onde avaliaremos a medula óssea, órgão responsável pela fabricação das células sanguíneas. Na SMD, vemos alterações morfológicas e buscaremos através de estudos genéticos característicos associados a SMD. A somatória de alterações características ao diagnóstico nos informa da gravidade do quadro.

GBT: O Brasil oferece, hoje, um amplo acesso a estes métodos de diagnóstico?
Dr. Breno: Infelizmente no Brasil não há um amplo acesso aos procedimentos e técnicas para o diagnóstico de SMD, principalmente no âmbito da saúde pública. Devido a essa carência nos métodos diagnósticos, muitos pacientes são diagnosticados em fases avançadas da SMD, alguns dele já evoluídas a leucemia aguda.

GBT: Trata-se de uma condição que afeta a qualidade de vida dos pacientes? Qual o risco de não iniciar um tratamento adequado prontamente?
Dr. Breno: Sem dúvida afeta a qualidade de vida. Na SMD temos dois objetivos: (1) quando diagnosticamos na fase inicial, nosso objetivo é corrigir a carência da células (anemia, plaquetopenia, neutropenia) e assim evitar quadros decorrentes dessa carência; (2) diagnóstico na fase avançada, é uma etapa mais avançada e mais grave. Trata-se de uma situação em que a doença se está transformando em leucemia e temos que tratar para melhorar a sobrevida do paciente.

GBT: Qual o papel dos agentes hipometilantes no tratamento da SMD?
Dr. Breno: Os hipometilantes são remédios que atuam a nível genético e epigenéticos, corrigindo o a fabricação das células na medula óssea (hematopoese). É o tratamento idôneo para situações mais avançadas da doença, onde atua modificando a sobrevida dos pacientes.

Mais informações sobre a campanha podem ser encontradas na página do Facebook /issoecoisadevelho.

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